O Assédio Psicológico O Assédio Psicológico

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Quem assedia e é assediado

As estatísticas mostram que a percentagem de trabalhadores que já foram alvos ou testemunhas de assédio psicológico é bastante elevada. Por exemplo, a Organização Internacional do Trabalho, numa pesquisa de 1996, no Reino Unido, concluiu que na primeira situação estavam 53% dos trabalhadores e na segunda 78%. Estes resultados são reforçados por um estudo da Staffordshire University Business School, que refere que um em cada dois trabalhadores do Reino Unido foi alvo de assédio psicológico durante a sua vida profissional. Um estudo que decorreu em França apurou que cerca de um terço dos franceses foram alguma vez vítimas de assédio psicológico no trabalho ou em casa.

A Fundação para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, uma organização da União Europeia, há cerca de 20 anos que conduz periodicamente um inquérito sobre o ambiente de trabalho na Europa. No relatório que faz a síntese dos dados recolhidos em 1990, 1995 e 2000, conclui-se que o assédio e a violência é um dos temas mais importantes nos locais de trabalho europeus. Portugal obtém os resultados mais baixos, 4% (os valores europeus variam entre 15% e 4%): 4% da população activa portuguesa é vítima de assédio psicológico. Este valor, atendendo à minha prática profissional parece-me bastante sub-dimensionado e resultar apenas da falta de investigação, de conhecimento e reconhecimento do fenómeno em Portugal.

Leymann, no início dos anos 90, com base num estudo nacional, concluiu que a probabilidade de um sueco ser vitima de assédio psicológico durante a sua vida profissional era de 25%, sendo que, em média, o período de agressão durava 15 meses. Os alvos eram igualmente homens e mulheres. Os homens são alvos geralmente de assédio de apenas outros homens, enquanto as mulheres já são alvos de homens e mulheres. O assédio psicológico era ligeiramente mais frequente no sector público.

Num estudo conduzido on line por Tim Field, de entre os cerca de 5000 participantes, a distribuição das pessoas que tinham sido alvo de assédio psicológico fazia-se da seguinte forma:

— 60% pertenciam ao sector público;
— 90% eram quadros ou administrativos, 5% operários (o grande desnível pode ser devido a uma diferenciada utilização da Internet por estes dois grupos) e 5% pertenciam a organizações sem fins lucrativos e voluntariado;
— 75% eram mulheres (talvez porque estão mais disponíveis para admitirem, voluntariamente, que foram alvo de assédio psicológico);
— 20% apresentaram queixa num tribunal, mas só 2% foram a julgamento e destes só metade tiveram sucesso na sua queixa;
— 10% pensaram em suicídio, 1% tentaram-no.
No estudo de Leymann, entre 10 e 20% dos sujeitos cometeram suicídio ou desenvolveram doenças graves.

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