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O que o causa
Os factores
que são vistos como facilitadores do surgimento de comportamentos
de assédio psicológico são vastos e muito variados.
Vão desde as características de personalidade do agressor,
características de personalidade e físicas do agredido,
a dinâmica do grupo onde alvo e agressor se inserem, bem como as
características da organização onde trabalham.
Como é
impossível estudar todos os elementos envolvidos, cada autor tende
a acentuar um tipo de variáveis. Assim, autores como Field acentuam
as variáveis individuais, analisando o bullying como uma
forma do agressor esconder a sua incompetência, defendendo que qualquer
pessoa que use o assédio psicológico para realizar o seu
trabalho e/ou lidar com os outros está a admitir a sua incapacidade,
incompetência para esse trabalho. Ou seja, quem não é
capaz, assedia os que o rodeiam para esconder a sua incapacidade.
Hirigoyen
defende que os assediadores são pessoas com problemas de auto-conceito,
que precisam de sentir que têm poder sobre os outros e usam o assédio
para se sentirem poderosos. Assim, todas as pessoas que tenham uma característica
que o vitimador gostaria de possuir, como seja alegria de viver, sucesso
profissional, etc., são potenciais vítimas.
Marais
e Herman consideram que a vitima é escolhida por apresentar determinadas
fraquezas. O vitimador aproveita-se dos pontos fracos/medos/ inseguranças
da vitima para a humilhar, “despersonalizar” e, assim, obter
domínio absoluto da vitima (tal como as hienas, que só atacam
animais fracos).
Para Leymann,
o que é determinante no processo de assédio psicológico
não são as características dos assediadores ou assediados,
mas sim o clima organizacional existente na empresa. Os factores que têm
sido apontados como mais importantes no surgimento do assédio psicológico
são:
—
fluxo de informação pobre (má comunicação
entre chefias e subordinados),
— resolução autoritária dos conflitos (não
há negociação, mas imposição),
— falta de diálogo sobre as tarefas e objectivos da unidade
de trabalho (geram-se mal-entendidos e os conflitos de interesse não
são clarificados e discutidos) e
— possibilidades insuficientes de influenciar os assuntos que dizem
respeito ao próprio trabalhador (este não tem poder sobre
as decisões que o afectam ou sobre como e quando realizar as tarefas
a seu cargo).
Há
um acordo generalizado entre especialistas de que para que o assédio
psicológico possa ocorrer e se manter ao longo de períodos
longos de tempo numa empresa, tem de existir a conivência consciente
(considerar que os fins justificam os meios) ou inconsciente (ignorar
ou desvalorizar os sintomas) da gestão de topo. Assim, quer a origem
do assédio psicológico seja um conflito de pessoas ou ele
nasça da má organização da empresa, é
a esta que cabe encontrar uma solução, porquanto, se há
assédio, é ela que o permite. |