O Assédio Psicológico O Assédio Psicológico

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O que o alvo pode fazer

Quem é apanhado numa situação de assédio psicológico no trabalho dificilmente sairá dela incólume. A menos que o alvo seja ele mesmo um assediador (capaz de agir matreira e impiedosamente) ou que pertença a uma organização onde os gestores estejam bastante conscientes deste problema, o mais provável é que por muito que faça saia sempre a perder.

Assim sendo, muitos autores e a generalidade daqueles que já foram vítimas de assédio recomendam que o melhor a fazer é mudar de emprego o mais rapidamente possível, antes que a sua saúde física e psicológica se degrade de tal forma que se torne incapaz de trabalhar.

É melhor o alvo deixar o assediador ganhar e mudar de emprego, do que manter-se no emprego e acabar por deixá-lo ganhar depois de ficar física e psicologicamente destroçado. De facto, quando o alvo tenta combater o assediador, o que acontece mais frequentemente é ficar doente e acabar por perder.

Infelizmente, nem sempre o mudar de emprego é uma alternativa possível.

Se há algo que se salienta é que ninguém sabe muito bem o que fazer nestas situações, pois cada um propõe uma coisa diferente. Seja como for, nenhuma destas propostas surge como uma panaceia milagrosa capaz de solucionar os problemas dos alvos do assédio psicológico no trabalho.

Com efeito, o que fazer depende imenso das personalidades do assediado e assediador, bem como das circunstâncias específicas de cada situação concreta. É, portanto, impossível definir receitas universalmente eficazes. No entanto, existem algumas medidas que o alvo de assédio pode tomar e que, geralmente, o podem ajudar a lidar com a situação.

Pode acontecer que o assediador não tenha consciência dos efeitos que o seu comportamento está a ter sobre o alvo. Assim, uma conversa muito bem pensada e planeada pode ajudar a regularizar a situação. Aqui, é essencial que o alvo:

- mantenha a calma e o sangue frio durante a conversa;
- escolha bem as palavras a usar e o momento adequado;
- não utilize um tom acusador nem faça interpretações da motivação do perpetrador ("tu fazes isto porque... o que queres é...");
- enumere serenamente os comportamentos que o incomodam e sugira como é que o outro os pode mudar.

Se o assediador tiver plena consciência do assédio, esta conversa é irrelevante e pode mesmo ser vista por ele como sinal de fraqueza.

Durante um processo de assédio, é vulgar o assediador negar os seus comportamentos, chamar mentiroso ao alvo e armar-lhe ciladas para que ele pareça incompetente. Assim sendo, é conveniente:

- fazer um diário pormenorizado com todos os comportamentos negativos que o assediador tem para com o alvo: que comportamentos teve, quando ocorreram, em que circunstâncias, se há testemunhas e/ou documentos, etc. A memória tende a pregar-nos partidas e os pormenores ajudam a dar consistência às queixas do alvo;

- guardar (de preferência em casa) todos os documentos que possam ser usados como provas do comportamento incorrecto do assediador ou da inocência do alvo (relatórios, avaliações de desempenho, memorandos, etc.);

- evitar que lhe sejam dadas instruções oralmente, principalmente se não existirem testemunhas;

- pedir esclarecimentos sobre todos os pormenores (prazos concretos, recursos para executar tarefas, etc.) e nunca presumir nada, pois o assediador pode sempre dizer que presumiu mal;

- evitar ficar sozinho com o assediador;

- falar do que se passa com os colegas, para que eles estejam alertas e possam servir de testemunhas (sempre que possível, devem-se-lhes referir comportamentos concretos). No entanto, há que ter cuidado com a possibilidade de se ser visto como tendo "a mania da perseguição". Os alvos tendem a ficar tão obcecados pelo que lhes estão a fazer, que podem ser percepcionados por terceiros como estando a exagerar... e que até merecem o que lhes está a acontecer;

- procurar saber se se é o único alvo de assédio daquela pessoa ou se existem ou existiram outros alvos. Há sempre a possibilidade de coordenar esforços com os outros;

- pedir assistência jurídica aos representantes sindicais para ficar a conhecer melhor as suas opções;

- pedir apoio emocional junto da família e amigos. Também aqui há que ter o cuidado de não exagerar, para não se tornar aborrecido. Não deve desesperar se não o compreenderem, porque é isso que acontece frequentemente (quem está fora da situação tem dificuldade em compreender);

- usar o tempo extra-laboral em actividades que lhe proporcionem muito prazer e o ajudem a relaxar, a combater o stress;

- procurar ajuda de um psicólogo para o ajudar a lidar com a dor provocada pelo assédio e a encontrar saídas para a situação;

- ter cuidado com os medicamentos.

O assédio psicológico tende a gerar um rol infindável de sintomas físicos (dores de cabeça, costas ou estômago, insónias, perda de apetite, etc.). A solução mais fácil é ir ao médico e tomar medicamentos para esses sintomas, bem como muitos ansiolíticos e anti-depressivos. Mas nem tudo o que é fácil é eficaz. Com efeito, principalmente os medicamentos psicotrópicos, embora possam ser úteis no curto prazo, não resolvem minimamente o problema e podem mesmo causar dependência, o que vai dificultar ainda mais a recuperação quando o assédio terminar. A usar com moderação e em conjunto com outras medidas.

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© 2018 M. Vilas-Boas