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Como se desenvolve
Leymann
considera que o processo de assédio psicológico se desenvolve
ao longo de quatro grandes fases:
1
— Conflitos quotidianos: Geralmente, o assédio psicológico
começa por ser um conflito. Como o conflito é uma manifestação
normal das relações humanas, não é de admirar
que no trabalho sejam frequentes os conflitos, as divergências de
opinião, as querelas sobre competências e mesmo as lutas
por poder ou influência. No entanto, só um pequeno número
de conflitos acaba em assédio psicológico.
2
— Mobbing e estigmatização: começa
o assédio psicológico propriamente dito. Os comportamentos
de assédio, isoladamente, não indicam necessariamente agressão,
no entanto, ser sujeito a estes comportamentos quase numa base diária,
durante um período de tempo longo e com propósitos hostis,
transforma o que noutras circunstâncias seria inócuo, em
algo bastante agressivo. O objectivo comum a todos estes comportamentos
é atingir a pessoa ou puni-la.
Nesta fase,
a intervenção da chefia pode terminar o processo, mas na
maior parte dos casos, esta prefere não ver o que se passa, o que
leva Leymann a conclui que o conflito só se transforma em mobbing
se a chefia o permitir.
O senso
comum tende a considerar que a culpa é da vítima, devido
aos seus traços inabituais e carácter difícil, de
tal forma que seria inevitável ser rejeitada ou pelo menos evitada
pelos que a rodeiam. Subjacente a esta atribuição poderá
estar o Efeito do Mundo Perfeito, ou seja, a tendência a acreditar
que o mundo é um local justo e ordeiro, onde as pessoas tendem
a ter o que merecem, logo, aqueles que sofrem devem ter feito algo para
o merecer. Assim, quando a vítima procura ajuda junto dos que a
rodeiam, estes tendem a desvalorizar a situação ou até
mesmo a culpar a vítima, fazendo com que esta ainda se sinta pior.
Tudo isto
faz com que o equilíbrio físico se comece degradar, a auto-confiança
seja ameaçada e apareçam os sintomas físicos e psicológicos
do stress. A vítima é cada vez mais acuada a posições
defensivas, o que a faz agir de forma que parece irracional e despropositada
aos olhos dos outros – estigmatização.
3
— Hostilidade dos serviços de pessoal: Devido aos
problemas que o assédio origina, mais cedo ou mais tarde a empresa
ou um seu representante, como a Direcção de Recursos Humanos,
tem de intervir.
Devido
à estigmatização que ocorreu na segunda fase, é
muito fácil a empresa julgar mal a situação, isto
é, julgá-la como se esta fosse culpa da vítima, pois
tende a aceitar os preconceitos produzidos durante as fases anteriores.
Nasce então, o desejo de se “desembaraçarem do diabo”,
isto é, da vítima, o que passa muitas vezes por violações
graves dos direitos do trabalhador. Tal como os colegas, a gestão
tende a criar explicações baseadas nas características
pessoais (por exemplo, a vítima tem uma personalidade difícil),
mais do que em factores ambientais (por exemplo, competição
desenfreada onde vale tudo). Isto é especialmente verdade quando
é a gestão a responsável pelo ambiente psicológico
no trabalho, o que aumenta a probabilidade de se recusar a aceitar a responsabilidade
pela situação.
Nesta fase
a vítima está bastante enfraquecida no seu equilíbrio
mental, mas com os mecanismos defensivos reflexos completamente despertos,
isto é, demasiado veementes e frequentes, o que a faz parecer conflituosa
e esquisita. Assim, é fácil concluir que se trata de uma
pessoa insuportável e, portanto, culpada pelo que lhe aconteceu.
4
— Exclusão: o indivíduo é excluído
da empresa e, muitas vezes, do mercado de trabalho, pois fica tão
fragilizado, física e psicologicamente, que nunca mais se consegue
adaptar a um contexto de trabalho. |